O País arde. Nunca ardeu tanto de uma só vez. A culpa, dizem, é dos altos valores da temperatura.
Faço uma visita mental ao passado recente e concluo que calor sempre houve mas nunca tantos incêndios. Qurerá isto dizer alguma coisa ou trata-se, tão só, de coincidência?
Com madeireiros pelo meio, negócios chorudos que aumentam de ano para ano, contratos com certas gentes que voam (€) muito para lá do que é razoável, incompetência a metro, promessas fachadas nas gavetas do poder, projectos que não passam disso e outras tantas razões mais ou menos obscuras, o que esperar?
Marques Mendes, líder do PSD, esteve no terreno a ver como é para contar como foi. Pelo caminho afirmou que o importante é ser solidário, sentir "in loco" o povo que cada vez mais se queima , deixando um claro recado ao Primeiro Ministro José Sócrates, nesta altura de férias fora de Portugal, numa clara demonstração de que se "está nas tintas" para o País real.
Mas Marques Mendes não tem grande margem para censura. O seu partido nada fez. E podia ter feito. Devia ter feito. De resto, muita gente devia ter feito. As autarquias não saem impunes. As autoridades idem.
Ainda há poucos dias, um responsável autárquico afirmava, de "peito feito", que o seu Concelho registava uma área ardida muito pequena, como que a demonstrar que a sua administração trabalhava em prol do mesmo. Logo a seguir, como que mandando calar tão ilustre autarca, dois grandes incêndios irrompiam, nesse Concelho onde realmente será difícil que o "verde" arda, porque "verde" para arder já pouco há e o que há é escrupulosamente guardado, vigiado, por se tratar de uma área protegida.
Os bombeiros são em quantidade insuficiente e são raras as corporações bem equipadas para este tipo de situações. Para além do eterno problema do voluntariado. Mesmo assim, há que tirar o chapéu aos soldados da paz. Fazem o que podem e, muitas vezes o que não podem.
E a prevenção? Com culpas sacadas a vários níveis. A prevenção não se faz. Ninguém limpa nada. Ninguém fiscaliza nada. A construção desordenada (é tão bom viver no campo) não ajuda. E quem permite este tipo de construção?
Que conclusões tirar de tudo isto?
Já sei! Vai constituir-se mais uma comissão. Que vai trabalhar num faustoso gabinete. Com muitos gráficos e estatísticas. Com doutores e engenheiros, claro. A pensar em 2006? Será? A ver vamos, como diz o cego.
Para amenizar o ambiente queria recomendar, principalmente aos fãs de Bono, que acaba de ser editado um livro sobre a sua vida.
Com os U2 a esgotar Alvalade para um concerto a não perder. Dia 14 deste tórrido mês de Agosto.
Por falar em tórrido, registe-se a probabilidade de uma descida de temperatura já a partir de 4ª feira. A confirmarem-se as previsões, deveremos ter o tal concerto com casa cheia sim, mas com muito menos calor.
E ainda com as mãos na música, permitam-me que sugira os grandes concertos Du Arte Garden, no Casino Estoril. Em Agosto e Setembro, sempre às 5ªs feiras, pelas 23.30 horas, Luis Represas, Delfins, Fingertips, The Gift, Jorge Palma, Santos & Pecadores, Maria João & Mário Laginha, Vitorino, Mafalda Veiga, por esta ordem.
As noites Du Arte Garden, sempre em grande.
Um bom fim de semana. Boas férias, para que for caso disso.
E, se a vossa praia fôr a Costa de Caparica, já sabem que durante alguns dias não vão poder tomar banho, entre as praias de S. João e a da Rainha.
Agradeçam à mancha puluente causada por algas estranhas.
Hasta la Vista.